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Auxiliar de Memória de Acontecimentos do Mundo onde Vivemos

Bom Senso "É conservar uma Atitude Harmonizada em momentos decisão..., conflito..., possuir a capacidade de evitar a prática de acções ou actos impensados no intuito de posteriormente não se sentir embaraço, arrependimento..." Bomsenso

Bom Senso "É conservar uma Atitude Harmonizada em momentos decisão..., conflito..., possuir a capacidade de evitar a prática de acções ou actos impensados no intuito de posteriormente não se sentir embaraço, arrependimento..." Bomsenso

Auxiliar de Memória de Acontecimentos do Mundo onde Vivemos

12
Jan10

Pensamento - Fernando Pessoa - A Nossa Crise Mental

bomsensoamiguinhos

Citador

A Nossa Crise Mental

 

 

 

 

Que pensa da nossa crise?

 

Dos seus aspectos — político,

moral e intelectual?

 

 


A nossa crise provém, essencialmente, do excesso de civilização dos incivilizáveis. Esta frase, como todas que envolvem uma contradição, não envolve contradição nenhuma. Eu explico. Todo o povo se compõe de uma aristocracia e de ele mesmo. Como o povo é um, esta aristocracia e este ele mesmo têm uma substância idêntica; manifestam-se, porém, diferentemente. A aristocracia manifesta-se como indivíduos, incluindo alguns indivíduos amadores; o povo revela-se como todo ele um indivíduo só. Só colectivamente é que o povo não é colectivo.


O povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo. Ora ser tudo em um indivíduo é ser tudo; ser tudo em uma colectividade é cada um dos indivíduos não ser nada. Quando a atmosfera da civilização é cosmopolita, como na Renascença, o português pode ser português, pode portanto ser indivíduo, pode portanto ter aristocracia. Quando a atmosfera da civilização não é cosmopolita — como no tempo entre o fim da Renascença e o princípio, em que estamos, de uma Renascença nova — o português deixa de poder respirar individualmente. Passa a ser só portugueses. Passa a não poder ter aristocracia. Passa a não passar. (Garanto-lhe que estas frases têm uma matemática íntima).


Ora um povo sem aristocracia não pode ser civilizado. A civilização, porém, não perdoa. Por isso esse povo civiliza-se com o que pode arranjar, que é o seu conjunto. E como o seu conjunto é individualmente nada, passa a ser tradicionalista e a imitar o estrangeiro, que são as duas maneiras de não ser nada. É claro que o português, com a sua tendência para ser tudo, forçosamente havia de ser nada de todas as maneiras possíveis. Foi neste vácuo de si-próprio que o português abusou de civilizar-se. Está nisto, como lhe disse, a essência da nossa crise.


As nossas crises particulares procedem desta crise geral. A nossa crise política é o sermos governados por uma maioria que não há. A nossa crise moral é que desde 1580 — fim da Renascença em nós e de nós na Renascença — deixou de haver indivíduos em Portugal para haver só portugueses. Por isso mesmo acabaram os portugueses nessa ocasião. Foi então que começou o português à antiga portuguesa, que é mais moderno que o português e é o resultado de estarem interrompidos os portugueses. A nossa crise intelectual é simplesmente o não termos consciência disto.


Respondi, creio, à sua pergunta. Se V. reparar bem para o que lhe disse, verá que tem um sentido. Qual, não me compete a mim dizer.

 
Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'

 

29
Jan09

Fernando Pessoa - O Mostrengo

bomsensoamiguinhos

 

 

O MOSTRENGO

 

Vídeo animado com base no poema de

Fernando Pessoa sobre os Descobrimentos

 

 

O MOSTRENGO

de

Fernando Pessoa



O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:

«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»

E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

 

⇔ ⇔ ⇔ 

 

Mapa dos Descobrimentos

 

 

 

28
Jan09

Fernando Pessoa

bomsensoamiguinhos

 

 

 

Fernando Pessoa

 

 

 

PUBLICAÇÕES EM VIDA

 

 

[1902]

Julho - Pessoa publica o seu primeiro texto, com apenas 14 anos. O poema intitula-se "Quando a dôr me amargurar..." e é publicado no jornal "O Imparcial", Ano II, N.º 433 a 18 de Julho.
 
[1904]
Julho -  Usando já o nome de um pseudónimo, Charles Robert Anon, Pessoa publica "Hillier did first usurp the realms of rhyme..." quando ainda em Durban, no "The Natal Mercury", a 9 de Julho.
Dezembro -  Enquanto frequenta a High School em Durban, publica o ensaio com titulo "Macaulay" no "The Durban High School Magazine", em Dezembro.
 
 
 
PUBLICAÇÕES PÓSTUMAS
 
 
Obras Completas, da Editora Ática (fundada por Luís de Montalvor):
- Poesia -
Volume I - Fernando Pessoa, Poesias, 1ª edição, 1942. (notas de Luís de Montalvor e J. G. Simões)
Volume II - Álvaro de Campos, Poesias, 1ª edição, 1944.
Volume III - Alberto Caeiro, Poemas, 1ª edição, 1946. (notas de Luís de Montalvor e J. G. Simões)
Volume IV - Ricardo Reis, Odes, 1ª edição, 1946.
Volume V - Fernando Pessoa, Mensagem, 1ª edição, 1945.
Volume VI - Fernando Pessoa, Poemas Dramáticos, 1ª edição, 1952. (nota de Eduardo Freitas da Costa).
Volume VII - Fernando Pessoa, Poesias Inéditas (1930-1935), 1ª edição, 1955. (nota de Jorge Nemésio).
Volume VIII - Fernando Pessoa, Poesias Inéditas (1919-1930), 1ª edição 1956. (notas de Vitorino Nemésio e Jorge Nemésio).
Volume IX - Fernando pessoa, Quadras ao Gosto Popular, 1ª edição, 1965. (prefácio de Georg R. Lind e Jacinto Prado Coelho).
Volume X - Fernando Pessoa, Novas Poesias Inéditas, 1ª edição, 1973.
Volume XI - Fernando Pessoa, Poemas Ingleses, 1ª edição, 1974. (notas de Jorge de Sena).
- Prosa -
Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, 1ª edição, 1966.
Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, 1ª edição, sem data.
Textos Filosóficos, 2 volumes, 1ª edição, 1968. (prefácio de António de Pina Coelho)
Cartas de amor, 1ª edição, 1978.
Sobre Portugal, 1ª edição, 1979.
Da República, 1ª edição, 1979.
Textos de Crítica e de Intervenção, 1ª edição, 1980.
Ultimatum e Páginas de Sociologia Política, 1ª edição, 1980.
Livro do Desassossego por Bernardo Soares, 2 volumes, 1ª edição, 1982.
 
 
 
 
Imagens retiradas da Internet
 
 
 
 
28
Jan09

Capital do Brasil - Brasília organiza semana cultural dedicada a Portugal

bomsensoamiguinhos

SOL

25 JAN 09

 

Capital do Brasil
 
Brasília
organiza semana cultural dedicada a
Portugal
 
 
Portugal será a estrela cultural de Brasília na próxima semana, no âmbito de um projecto que pretende atrair novos visitantes para a capital brasileira, com espectáculos, performances cénicas, exposições, debates literários e gastronomia de diferentes países
 
«O projecto Palcobrasília começa por Portugal, porque é a nossa pátria-mãe. Esta semana dedicada a Portugal foi motivada também pelo início da reforma ortográfica, que será tema de muitos debates», disse à agência Lusa o produtor Jorge Luiz, da Giral Projectos Socioculturais.

A primeira edição do projecto reunirá escritores, músicos e actores brasileiros e portugueses em Brasília, que pretende quebrar com o monopólio cultural do eixo Rio-São Paulo.

Um dos destaques da programação é a apresentação do grupo português Madredeus & A Banda Cósmica, que vai lançar o seu novo CD, o álbum duplo Metafonia.

Outra atracção musical será o show da brasileira Adriana Calcanhoto.

O público brasileiro vai poder ver, pela primeira vez no país, a exposição Os Lugares de Pessoa, que mostra a biografia e a bibliografia do poeta português Fernando Pessoa.

A programação literária inclui ainda as presenças da escritora Inês Pedrosa e da brasileira Elisa Lucinda.

O evento será aberto na segunda-feira, com a inauguração da exposição Os Lugares de Pessoa, da mostra fotográfica Aquarela do Brasil, do brasileiro Bento Viana e com um concerto do pianista português Adriano Jordão e da violinista brasileira Gabriela Queiroz.

«Este é o início de um processo. Podemos transformar Brasília num caldeirão cultural efervescente. Podemos também levar este projecto a outras capitais. Podemos fazer uma semana da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa», afirmou à Lusa um dos organizadores, o luso-brasileiro Marcos Joaquim Alves.

O evento deverá, segundo a organização, atrair cerca de 1.000 pessoas por noite e todas as actividades culturais serão transmitidas para 1.500 municípios brasileiros, a maioria deles afastados dos grandes centros urbanos.

As próximas edições do Palcobrasília serão dedicadas à França, Colômbia, Itália e Japão.
 
Lusa/SOL

 

 

 

 

 

19
Jan09

Poema - FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - O Meu Olhar

bomsensoamiguinhos

PORTAL DA HISTÓRIA

 

 Fernando Pessoa

 

 Retrato de Fernando Pessoa

 

 

Retrato de Fernando Pessoa.

1954, óleo sobre tela, 2010 x 2010 mm

Museu da Cidade, Lisboa, Portugal

Quadro de Almada Negreiros (1893-1970),

 

  

ESCRITORES E POETAS PORTUGUESES

   

Alberto Caeiro

 

 

O Meu Olhar 

     O meu olhar é nítido como um girassol.
     Tenho o costume de andar pelas estradas
     Olhando para a direita e para a esquerda,
     E de, vez em quando olhando para trás...
     E o que vejo a cada momento
     É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
     E eu sei dar por isso muito bem...
     Sei ter o pasmo essencial
     Que tem uma criança se, ao nascer,
     Reparasse que nascera deveras...
     Sinto-me nascido a cada momento
     Para a eterna novidade do Mundo...

     Creio no mundo como num malmequer,
     Porque o vejo.  Mas não penso nele
     Porque pensar é não compreender ...

     O Mundo não se fez para pensarmos nele
     (Pensar é estar doente dos olhos)                  
     Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

     Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
     Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
     Mas porque a amo, e amo-a por isso,
     Porque quem ama nunca sabe o que ama
     Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
     Amar é a eterna inocência,
     E a única inocência não pensar...

  

Alberto Caeiro
Fernando Pessoa
 Poeta, 1888 - 1935

 

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Fernando Pessoa e seus Heterônimos

 

 

  

 -  Fernando Pessoa

 -  Alberto Caeiro

 -  Ricardo Reis

 -  Álvaro de Campos     

 

 

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